|
ESTILOS ARQUITECTÓNICOS EM PORTUGAL
Apesar de se considerar
que a arquitectura portuguesa teve o seu início
aquando da instauração da monarquia,
existiam já no território vestígios
de antigos edifícios. Entre eles poderemos
citar o templo visigótico de Balsemão,
a mesquita moçárabe em Lourosa (912
d.C.), a basílica de Santo Amaro em Beja,
ou a igreja de São Frutuoso próxima
de Braga, o mais puro exemplo da arquitectura bizantina
da Península Ibérica. Por outro lado,
o melhor exemplo das construções romanas
que podemos apontar é sem dúvida o
Templo Romano (2-3 a. C), em Évora.
O estilo românico
surge em Portugal na segunda metade do século
XI, introduzido pelos monges da ordem de Cluny.
Este estilo cujos traços estão bem
patentes nas catedrais de Braga, Porto, Lamego e
Coimbra (especialmente na Sé Velha) manteve-se
até aos princípios do século
XIII. Mais tarde, neste século, surgem as
primeiras linhas que darão origem ao estilo
gótico, introduzido pelos monges cistercianos.
Tendo como planta a cruz católica, estas
igrejas apresentam extensas naves, abóbadas
em ogiva e paredes naturalmente iluminadas por enormes
janelas cobertas de vitrais, os melhores exemplos
do estilo gótico encontram-se nos mosteiros
de Alcobaça e Batalha, na região do
Vale do Tejo.
Com os Descobrimentos, o
período gótico sofre uma evolução:
o estilo Manuelino, um retrato do período
de expansão colonialista que o Império
português conhece no século XV. As
influências mouriscas são reabilitadas,
conjugando-se com novos motivos, marítimos,
que ornamentam as construções: cordas
entrançadas, cabos, âncoras e corais,
são algumas das constantes. Este estilo único
tem a sua maior presença no Convento de Cristo,
em Tomar, no Mosteiro da Batalha, nos claustros
do Mosteiro dos Jerónimos, na Torre de Belém,
ou nas igrejas de Jesus, em Setúbal.
O estilo renascentista foi introduzido no país
por arquitectos franceses em 1517, vindo de Itália,
funcionando apenas como forma decorativa. Só
a partir de 1530 é que surge o estilo renascentista
na aruitectura. As catedrais de Leiria e de Portalegre
são dele um excelente exemplo, bem como o
colégio Jesuíta em Évora, ou
a Casa dos Bicos, em Lisboa.
No entanto, este estilo rapidamente dá lugar
a um outro, o maneirismo, que ganha em solo nacional
características muito específicas
e que se manterá por um longo tempo de 1550
a 1710. Para a difusão deste estilo arquitectónico
no nosso país foi fundamental o papel da
Companhia de Jesus, decretando que o interior das
igrejas fosse amplo e homogéneo e que de
todo o lado se pudesse ver o altar-mor e o púlpito.
Como exemplos podemos citar a igreja do Espírito
Santo em Évora, a capela-mor da igreja dos
Jerónimos (1571-1572), a igreja de São
Roque, ou a igreja de São Vicente de Fora,
em Lisboa. A ornamentação das igrejas
é um ponto chave do maneirismo: talha dourada,
azulejos e quadros a óleo que dão
um ambiente magnífico aos interiores, contrapondo
com as linhas sóbrias e simples dos edifícios.
Do século XVII até meados do século
XVIII, o estilo barroco predominou em Portugal,
sendo no entanto na ornamentação que
este estilo ganha verdadeira expressão no
nosso país. O convento de Mafra, é
considerado o seu maior exemplo, com a sua magnífica
biblioteca de 88 metros de comprimento, mas não
podemos deixar de citar o aqueduto das Águas
Livres, a igreja e escadas do Bom Jesus de Braga,
ou o Santuário da Nossa Senhora dos Remédios
em Lamego, este dois já ostentam uma mistura
de barroco com rococó (última fase
deste estilo).
Se o rococó foi a última fase do
barroco e onde este alcançou a sua maior
expressão, chegando a um estilo altamente
vistoso e exuberante, o neoclassicismo surge como
um corte radical com esse estilo. As suas linhas
recuperam a sobriedade e elegância, como
se pode ver no Mosteiro de Santa Clara-a-nova
em Coimbra, ou na capela de S. João Baptista
na Igreja de São Roque, em Lisboa (1742).
O Palácio da Ajuda, em Lisboa, pode ser
também um bom exemplo deste estilo arquitectónico.
Com o terramoto de 1755, Lisboa tem de ser reconstruída
e assim entra no século XIX, ostentando
os edifícios este novo estilo. Por volta
de 1830, o neoclassicismo começa a sofrer
alterações. Surge o romantismo com
algumas novidades, essencialmente ligadas à
decoração, sendo que uma nova sumptuosidade
se identificava com a classe da alta burguesia,
emergente, e que se impunha a pouco e pouco na
alta sociedade.
Com a quedas da monarquia em 1910, e o período
de lutas internas que se instaurou pelo país,
a arquitectura nacional conhece uma pausa que
finda aquando da instauração do
novo regime. Surge assim um estilo arquitectónico
de edifícios robustos e linhas sóbrias
e simples. A partir de 25 de Abril de 1974, Portugal
conhece mudanças profundas que se vão
reflectir nos novos estilo arquitectónicos
que irão surgir.
|